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Hoje em dia temos à nossa disposição novas terapêuticas, como o pacing no caso de bradicardia e os cardioversores desfibrilhadores implantáveis (CDI) para o tratamento das arritmias potencialmente fatais. Contudo existe outros desafios na área dos dispositivos, nomeadamente o tratamento da Insuficiência cardíaca e das arritmias associadas. A Terapia de Ressincronização Cardíaca (TRC) com ou sem backup de CDI foi concebida para o tratamento da insuficiência cardíaca, doença progressiva e incapacitante, em que o coração não consegue bombear sangue eficazmente para dar resposta às necessidades do organismo.

Os Dispositivos Eletrónicos Cardíacos Implantáveis (DECI) são pois dispositivos com capacidade para identificar, analisar, registar e/ou tratar perturbações do ritmo e/ou da condução cardíacas. Para além dos Pacemakers (PM), incluem os Cardioversores-Desfibrilhadores Implantáveis (CDI), os dispositivos de Terapia de Ressincronização Cardíaca (TRC), os registadores de eventos implantáveis. Os DECI têm vindo a expandir-se em número e complexidade desde 1958.

A Consulta de DECI tem como objetivo o seguimento de pacientes portadores de DECI permitindo a otimização do dispositivo assim como a avaliação clinica do paciente. A frequência e o método de follow-up são dependentes de múltiplos fatores, relacionados com o doente (estabilidade clínica, mudança terapêutica, capacidade de reportar sintomas, acessibilidade geográfica ao centro, aspetos sociais) e com o dispositivo (idade e complexidade do dispositivo, necessidade de reprogramação ou outro tipo de intervenção).

No nosso Centro é efetuada a avaliação do dispositivo até 24 horas após a implantação e novamente aos 10 dias, 1 mês e aos três meses após a alta. Posteriormente é efetuada uma consulta presencial a cada 6 a 12 meses no caso dos PM e a cada 3 a 6 meses no caso dos CDI e TRC. Quando surgem sinais de aproximação de depleção da bateria é efetuada consulta presencial entre 1 a 3 meses. A frequência de consultas em doentes com registadores de eventos implantáveis varia entre 1 a 6 meses dependendo dos sintomas e da indicação.

Na última década, a possibilidade de utilizar sistemas de telemedicina para monitorização à distância deste tipo de dispositivos tornou-se uma realidade com aplicação clínica crescente, permitindo implementar modificações no seguimento especializado desta população, com benefícios e níveis de segurança bem documentados.

A monitorização remota veio objetivar um dos princípios da monitorização de dispositivos cardíacos implantados que é a deteção de anomalias no funcionamento destes com a maior precocidade possível.

O consenso sobre a monitorização de DECI da Heart Rhythm Society (HRS) e da European Heart Rhythm Association (EHRA) contempla a monitorização remota no seguimento de doentes com condição clínica estável e em que não se prevê necessidade de reprogramação do dispositivo.

No nosso Centro dispomos de 4 sistemas de monitorização remota: Home Monitoring da Biotronik, CareLink Network da Medtronic, Latitude Patient Management System da Boston Scientific, Merlin.net da St. Jude Medical.

Os Laboratórios de Arritmologia de Intervenção tornaram-se assim importantes locais de decisão terapêutica, com capacidade de diagnosticar, indicar e seguir os doentes com arritmias passíveis de beneficiar de terapêutica invasiva (pacemaker, CDI ou TRC), sendo por isso necessário pessoal médico e técnico com qualificação específica e experiência consistente adquirida através de programas de formação exigentes.