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Lino Gonçalves

Vivemos um momento de grande mudança no seio da Medicina em Coimbra determinado pela reestruturação de vários dos seus serviços hospitalares.

De facto, “enquadrado na reforma do sector da saúde, a constituição do CHUC em 2011, representa um marco importante na estruturação do parque hospitalar público em Portugal.

A agregação dos recursos humanos, tecnológicos e financeiros das Unidades que o constituem, tornaram esta organização no maior Centro Hospitalar do País” (Plano de Desenvolvimento Estratégico 2012-2016 do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, E.P.E.). A criação do CHUC determinou a ampliação da sua área de influência a toda a Região Centro, abrangendo actualmente cerca de 1,7 milhões de habitantes (500 mil dos quais de primeira linha).

O CHUC é formado por oito estruturas hospitalares dispersas geograficamente, as quais, apesar da sua proximidade, obrigam a um processo logístico e organizativo complexo. A fusão destas unidades hospitalares conduziu naturalmente à existência de um conjunto de estruturas duplicadas, quer em termos assistenciais, quer em áreas de suporte assistencial, de gestão e logística, criando a oportunidade para a melhoria dos níveis de eficiência nos cuidados de saúde.

O CHUC integra unidades de referência, a nível regional e nacional, no âmbito assistencial, ensino e investigação e tem como sua missão: “a prestação de cuidados de saúde de elevada qualidade e diferenciação aos doentes da região centro, num contexto de formação, ensino, investigação, conhecimento científico e inovação, constituindo-se como uma referência nacional e internacional em áreas consideradas como pólos de excelência.” (Plano de Desenvolvimento Estratégico 2012-2016 do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, E.P.E.)

O Serviço de Cardiologia é um dos serviços mais importantes do CHUC-Hospital Geral (HG) cuja atividade se destaca pela excelência da sua produtividade assistencial, e pela sua diferenciação muito especial na área da intervenção cardiovascular onde constitui uma referência incontornável não só na região centro do País, como também a nível nacional. Durante o ano de 2015, irá ainda proceder-se à substituição do equipamento de radiologia da sala 2 por um equipamento mais moderno e robusto, de forma a permitir a realização de intervenções cardiovasculares também nesta sala e assim aumentar a capacidade de resposta nesta área.

Gostaríamos ainda de, em 2015, contratar 3 cardiologistas, um com perfil de cuidados intensivos, um de electrofisiologia e finalmente o terceiro com perfil de cardiologia de intervenção, de forma a dotar o serviço dos recursos humanos necessários para um normal funcionamento e para responder a todas as solicitações.

Espera-se que durante o ano de 2015 seja possível iniciar as obras de reabilitação da enfermaria de Cardiologia no nosso serviço de forma a conferir-lhe o conforto e a dignidade que os doentes que a nós recorrem certamente merecem. Assim será possível estender à Enfermaria a elevada qualidade de oferta de cuidados de saúde de uma estrutura hospitalar moderna, com equipamento de ponta que já existe na UCIC e na área invasiva do Serviço.

A Telemedicina é seguramente uma mais-valia importante para qualquer serviço de Cardiologia moderno, ao reduzir a sobrecarga na nossa consulta externa permitindo assim dar uma resposta mais célere às 1ªs consultas que são pedidas pelos centros de saúde da nossa área de influência, reforçando assim a ligação a estes centros. Aproveitando a tradição do Serviço de Cardiologia que mantém desde há vários anos projectos de cooperação em África, estão criadas as condições para iniciar a consulta de Telemedicina, nomeadamente com S. Tomé e Príncipe e Cabo Verde, para além de visitas presenciais de alguns elementos do serviço em acções humanitárias para observação e referenciação de doentes cardiovasculares. A formação de quadros para os Países Lusófonos, que actualmente já se verifica, é também um aspecto importante que deverá ser mantido e estimulado.

Será importante ainda, em 2015, o desenvolvimento de um programa de reabilitação cardiorespiratória que dê resposta às necessidades da região centro do País. Esse projecto deverá ser elaborado em conjunto pelos dois serviços de cardiologia , pelos dois serviços de pneumologia e pelo serviço de reabilitação e de cirurgia cardiotorácica do CHUC.

Finalmente, iremos criar em 2015, uma unidade de investigação clínica para apoiar toda a investigação clínica que existe actualmente no Serviço e se possível aumentá-la ainda mais. As actividades de investigação translacional em colaboração com a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra irão continuar, sendo desejável o envolvimento de mais jovens investigadores nestas actividades.

A formação pré- e pós-graduada irá continuar a desenvolver-se, sendo uma das actividades centrais do nosso Serviço, em colaboração com a Faculdade de Medicina e com outras instituições nacionais e internacionais.

O serviço continuará aberto a colaborações quer a nível nacional, quer a nível internacional, onde se destacam instituições prestigiadas como a Sociedade Europeia de Cardiologia, a Clínica Mayo, e as Universidades de Harvard, Munster, Santiago de Compostela e Salamanca, entre outras.

Encontrámos quando chegámos à Cardiologia do CHUC-HG uma equipa jovem de profissionais de saúde motivados, organizados e altamente diferenciados. Não tenho dúvidas de que iremos cumprir os objectivos traçados na sua plenitude.

Sejam bem-vindos ao nosso serviço e ao nosso website.

 

Lino Gonçalves, MD, MSc, PhD, FESC