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O Serviço de Cardiologia do C.H.C. iniciou a sua atividade em 1973, integrado no Hospital Geral da Colónia Portuguesa do Brasil, chefiado pelo Dr. Santana Maia, em acumulação com o lugar de Diretor do Serviço de Medicina. Este, tinha apenas um cardiologista no quadro, o Dr. Gerardo Ubach Ferrão que havia transitado do Serviço de Cardiologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, onde era hemodinamista.

Em Julho de 1973, transferido da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, onde era Assistente de Anatomia, o cardiologista Armando Gonsalves inicia a sua atividade como especialista no Serviço de Cardiologia

Em Setembro de 1973, transferido dos HUC, o Dr. Francisco Paula Fong, médico do 2º Ano do Internato Complementar de Cardiologia, integra, também, este serviço.

 

Primeiro Diretor do Serviço de Cardiologia

Em Dezembro de 1973, o Serviço torna-se independente do Serviço de Medicina Interna, assumindo a sua direção o Dr. Ubach Ferrão.

Em 1974 entram para o Serviço três internos do 1°ano da especialidade de Cardiologia: os Drs. Ferreira Gomes, Frias Fernandes e Almada Cardoso. A partir desta data, o Serviço recebe, de forma regular, médicos internos que depois de obterem o grau de especialista e de realizarem os respetivos concursos de provimento são admitidos no Quadro Permanente de Serviços de Cardiologia de todo o país, desempenhando importantes funções em diversos graus da Carreira Hospitalar. Vamos apenas fazer referência aos médicos mais antigos que contribuíram para a afirmação do Serviço de Cardiologia do CHC e aos quais prestamos a nossa homenagem.

Assim, o Dr. António Ferreira Gomes (falecido em 1999) foi Chefe de Serviço do Hospital de Angra do Heroísmo, o Dr. Almada Cardoso foi Diretor do Serviço de Cardiologia do Hospital do Funchal, o Dr. Saudade Vieira foi Diretor do Serviço de Cardiologia do Hospital de Vila Real, o Dr. João Francisco foi Chefe de Serviço do Hospital de Aveiro, a Dr.ª Graça Ferreira da Silva foi Diretora do Serviço do Hospital de Santarém, o Dr. João Almeida foi Diretor do Serviço do Hospital de Guimarães, a Dr.ª Fernanda Ferrão foi Assistente Graduada do Hospital de Setúbal, o Dr. Nuno Fonseca foi Assistente Graduado do Hospital da Figueira da Foz, o Dr. Oliveira Santos, foi Diretor Clínico e Presidente do Conselho de Administração do Hospital de Viseu e é, atualmente o Diretor de Serviço do Serviço de Cardiologia, a Dr.ª Odete Corga Barros e o Dr. José Lopes de Carvalho foram Assistentes Graduados do Hospital de Viseu, a Dr.ª Ana Maria Briosa Neves é Assistente Graduada no Centro Hospitalar Baixo Vouga e o Dr. João Vasconcelos Assistente Graduado do Hospital de Évora.

Todo o pessoal de enfermagem, designadamente o da Unidade de Cuidados Intensivos Coronários, foi treinado no Serviço, através de cursos específicos, ministrados pelos especialistas (em anexo, imagem de aula prática orientada pelo Dr. Armando Gonsalves, na presença do Diretor de Serviço Dr. Ubach Ferrão, a elementos do corpo de enfermagem).

A formação permanente pós-graduada de internos do Internato Geral, dos internos do Internato Complementar e dos Especialistas foi efetuada ao longo deste tempo no Serviço, com exceção de alguns estágios realizados noutros Hospitais Centrais no País ou no Estrangeiro.

Em 1982 o Dr. Ubach Ferrão organiza um relatório muito desenvolvido sobre o Serviço de Cardiologia e a Unidade de Cuidados Intensivos para Coronários no qual afirma: " Após quase 10 anos de utilização crescente e intensiva de todo o seu equipamento, como demonstram os quadros juntos a este relatório, o Serviço de Cardiologia do C.H.C, encontra-se no ponto de viragem da sua evolução. Já dispõe de pessoal médico altamente especializado nas diversas técnicas de diagnóstico da cardiologia moderna, que para desenvolver todo o seu potencial necessita de ver o seu serviço com uma renovação de equipamento".

Também em 1982, o Serviço de Cardiologia conjuntamente com o Serviço de Radiologia organizam outro relatório em que demonstram a absoluta necessidade de adquirir um novo equipamento de angiografia e hemodinâmica para o Centro Hospitalar de Coimbra, o que só se vem a concretizar em 1996, com a criação do Laboratório de Hemodinâmica equipado com angiografia digital, sector funcional que pelo seu dinamismo terá uma referência em capítulo próprio.

De referir, também, que o Serviço foi pioneiro não só por ter sido equipado com a segunda unidade de cuidados intensivos para coronários do país (UCIC), oferecida pela Fundação Calouste Gulbenkian, mas também por ter sido o primeiro Serviço da Zona Centro a implantar Pacemakers permanentes e a executar estudos eletrofisiológicos. Foi ainda o terceiro Serviço a nível nacional com Laboratório de Provas de Esforço em Tapete Rolante, que teve como primeiro responsável o Dr. Frias Fernandes.

Em 1979, dois anos antes da criação do INEM, o Serviço de Cardiologia equipa a primeira ambulância medicalizada, iniciando um novo sistema de auxílio aos doentes coronários, deslocando-se com médico e enfermeiro ao domicílio dos doentes com suspeita de síndrome coronário agudo, iniciando, no próprio local e durante o trajeto para o Hospital, Suporte Básico e Avançado de Vida. Esta importante medida, usada pela primeira vez em Coimbra e no País, justifica que lhe dediquemos um capítulo próprio.

 

A Enfermaria de Cardiologia e U.C.I.C.

De acordo com o relatório de 1982, a enfermaria de Cardiologia, com 24 camas distribuídas por 6 compartimentos, tinha em anexo uma sala e um gabinete de Enfermagem.

A Unidade de Cuidados Intensivos Coronários (UCIC) do Serviço de Cardiologia do CHC dispunha de equipamento que era constituído por uma central de 8 canais, com monitor de tempo de paragem cardíaca e seletor de inscrição direta, em papel, de uma derivação do E.C.G. para cada quarto. A central registava, após alarme, o traçado eletrocardiográfico dos 10 segundos prévios e dos 20 segundos após o acidente, com base nas 4 memórias que possuía. Tinha, também, um registador de frequência cardíaca nas 24 horas para um doente pré-selecionado.

As características logísticas disponíveis eram as seguintes:

  • 5 camas com monitores de eletrocardiograma e pulso capilar.
  • 2 camas com monitores de pressão intra-arterial e intravenosa.
  • Uma Unidade de Ressuscitação Cardíaca móvel composta por cardioscópio, pacemaker e desfibrilhador.
  • Pacing cardíaco endocavitário provisório, utilizando um intensificador móvel de imagens radiológicas.
  • 4 Pacemakers externos para pacing ventricular, 1 para pacing auricular, 1 para pacing auricular e ventricular e 2 eletrocardiógrafos.

Desde o início da atividade em 1974, a assistência aos doentes da UCIC foi sempre efetuada em regime de permanência física ao longo das 24 horas do dia.

No ano de 1974 inicia-se, também, a implantação de pacemakers permanentes no CHC, que foram os primeiros implantados na Zona Centro. Inicialmente os referidos dispositivos eram implantados por via subxifoideia pelo Professor Dr. Luciano dos Reis, Diretor do Serviço de Cirurgia I e pelo Dr. Ubach Ferrão, Diretor do Serviço de Cardiologia.

Em 1977 é criado o Sector de Pacing Cardíaco e Eletrofisiologia que teve como responsável até 1993 o especialista Armando Gonsalves do Serviço de Cardiologia. À Eletrofisiologia dedicou-se especialmente o Dr. Francisco P. Fong que em 1983 apresentou, em reunião da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) os resultados de um ano de atividade.

O C.H.C tinha necessidade absoluta de ser equipado com uma angiografia digital polivalente a instalar no Hospital dos Covões. Este hospital já se dotara de médicos especializados e dotados de grande experiência na área da Neurorradiologia. Possuía também, no Serviço de Cardiologia, uma equipa completa de médicos e técnicos de cardiopneumografia com formação atualizada em Estudos Invasivos, com competência para extrair todo o rendimento do referido equipamento.

Aliás, o Conselho de Gerência, atualmente designado por Conselho de Administração, presidido na altura pelo médico Armando Gonsalves, tinha a noção exata da absoluta necessidade de adquirir a referida angiografia digital polivalente e o conhecimento desta necessidade data de 1986, o que é atestado pela ata nº 177, de 31/12/1986, do Conselho de Gerência do C.H.C, que se transcreve:

"Face às previsões de capacidade de investimento no ano de mil novecentos e oitenta e sete e havendo a informação de que o PIDDAC orçará cerca de quarenta mil contos, mais decidiu que, dada a gravidade da nossa Instituição Hospitalar pela falta de uma angiografia digital, ou pelo menos digitalizável, que viesse a substituir o equipamento existente mas totalmente degradado, deveriam ser inscritos trinta mil contos para aquela finalidade uma vez que essa verba permite, com o sistema leasing ou similar, adquirir o equipamento de imediato, pagável em três ou quatro anos. Esta decisão precede o resultado obtido, por unanimidade, na reunião de vinte e três de Dezembro de mil novecentos e oitenta e seis, entre o Conselho de Gerência e os Conselhos Coordenadores dos três Hospitais integrados, e na qual estiveram presentes os Diretores dos Serviços de Radiologia, Financeiros e de Aprovisionamento. A afetação dos encargos emergentes desta decisão será feita pelos Serviços Comuns e pelos Hospitais Integrados em proporções a afixar oportunamente."

De salientar que, ao não ser dado o adequado cumprimento a esta resolução, atrasou-se 10 anos, com todos os seus inconvenientes, a aquisição da referida angiografia digital e o início da atividade do Laboratório de Hemodinâmica.

 

Ensino Pré-Graduado e Unidade de Ensino Clínico do CHC

Além do ensino pós-graduado o Serviço de Cardiologia ministrava ensino pré-graduado a médicos, enfermeiros e técnicos.

Dado o elevado número de estudantes de medicina, teve início no ano lectivo de 1975/76 o Ensino Médico Pré-Graduado no Centro Hospitalar de Coimbra, oficializado por despacho conjunto dos Secretários de Estado do Ensino Superior e da Saúde

O Ensino Médico Pré-Graduado no CHC foi consagrado em Decreto-Lei, do Primeiro Governo Constitucional em Novembro de 1977, sob a designação de Unidade de Ensino Clínico do CHC, em dependência direta da Reitoria da Universidade de Coimbra (Prof. Doutor Ferrer Correia), dirigida por uma Comissão Instaladora constituída pelos Drs. Ubach Ferrão, Manuel Miraldo, Campos Pinheiro e Abreu Barreto, Joaquim Arenga tendo ministrado ensino de qualidade a centenas de alunos até finais de 1983, data em que terminou as suas funções com o início do "numerus clausus"

As aulas teóricas eram ministradas pelos Chefes de Serviço (Dr. Ubach Ferrão e Armando Gonsalves) que regiam, respetivamente, as disciplinas de Terapêutica Médica e Terapêutica Geral, coadjuvados por especialistas do serviço nas aulas práticas.

Refira-se que, paralelamente, o serviço desde o início da sua atividade vinha a ministrar ensino aos cursos de Cardiopneumografia, integrados na atualmente designada Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra desde a fundação destes cursos. As aulas teóricas decorriam na Escola Superior de Enfermagem Bissaya-Barreto e as aulas práticas eram orientadas no serviço pelos médicos assistentes hospitalares.

 

Ambulância Medicalizada do Serviço de Cardiologia

De acordo com a notícia publicada no Diário de Coimbra, de 13 de Janeiro de 1979, que pode ser visualizada na imagem seguinte, o Serviço de Cardiologia do CHC, teve a primeira ambulância medicalizada do País, que iniciou a sua atividade dois anos antes da criação do INEM.

De acordo com as normas divulgadas, a ambulância deslocava-se ao domicílio do doente com cardiologista e enfermeira da UCIC numa área que não ultrapassava os 25 quilómetros de raio. A assistência após o diagnóstico clínico, apoiada na informação fornecida pelo monitor cardíaco e eletrocardiograma, iniciava-se no próprio domicílio utilizando terapêutica médica e, sempre que necessário, Suporte Básico de Vida e Suporte Avançado de Vida na ambulância, a caminho da UCIC, para onde o doente era admitido diretamente, sem passar pelo Serviço de Urgência (SU).

Consideramos interessante mostrar o interior da ambulância equipada com oxigénio, sistema de aspiração, monitor de ECG e desfibrilhador fixo cuja carga elétrica era gerada por uma manivela, e um pequeno desfibrilhador com acumulador que constituía parte do equipamento portátil.

Esta experiência inovadora durou cerca de um ano e cessou por falta de recursos humanos suficientes para a sua manutenção. No entanto, a UCIC continuou, como acontece hoje com a Via Verde, a receber diretamente, sem passagem pelo SU, os doentes com o diagnóstico de doença coronária aguda.

 

Comemoração dos 20 anos da U.C.I.C. – Indicadores de Atividade

Em 1994, após a aposentação do Dr. Gerardo Ubach Ferrão, primeiro Diretor do Serviço, comemoram-se os 20 Anos da Unidade de Cuidados Intensivos Coronários com uma Reunião Científica, realizada em Novembro, subordinada ao tema, “ Doença Coronária. Da Prevenção à Reabilitação” e com a edição de dois livros com os seguintes títulos: “ Normas de Atuação na Unidade Coronária” e “Contributos para a História do Serviço de Cardiologia”.

Para assinalar a referida data foi encomendada ao artista Vasco Berardo uma medalha comemorativa que foi distribuída não só aos elementos que então integravam o Serviço mas também aos palestrantes e aos antigos elementos do Serviço que estiveram presentes como convidados especiais.

 

A medalha tinha de um lado a vista do Hospital Geral e do outro o logótipo do Serviço com imagem espelhada, onde estavam gravadas as datas de 1974-1994, correspondente aos 20 anos de funcionamento ininterrupto da UCIC.

De referir, que três medalhas em prata foram oferecidas ao 1º Diretor do Serviço – Dr. Gerardo Ubach Ferrão, à Fundação Calouste Gulbenkian, que equipou a UCIC em 1973 e ao Diretor do Arquivo da Universidade de Coimbra, Professor Doutor Manuel Augusto Rodrigues, que o Serviço de Cardiologia homenageou, pela ação desenvolvida na direção do Arquivo.

A Comemoração dos 20 Anos da UCIC, além de ter sido um importante evento científico, em que participaram as principais individualidades da cardiologia portuguesa, coincidiu com a dotação ao Serviço de todo um novo equipamento para a UCIC e para o Laboratório de Ecocardiografia com aparelho de Eco-Doppler Cardíaco, com sonda transesofágica, software para stress farmacológico e digitalização de imagem e, ainda, a renovação de outros equipamentos.

Em 1993, com a aposentação do Dr. Ubach Ferrão é nomeado Diretor do Serviço o Chefe de Serviço Armando Gonsalves, que começa a sua atividade implementando a publicação de um Regulamento Interno para o Serviço de Cardiologia, no qual procede à descentralização do Serviço, delegando competências nos responsáveis pelos diversos Sectores Funcionais do Serviço de Cardiologia.

Em 2006, o Dr. Armando Gonsalves reforma-se, sendo nomeado Diretor do Serviço o Dr. Leitão Marques, que dirige o serviço até à sua reforma em 2013. Sob a sua direção, este sofreu um importante impulso na sua diferenciação técnica, particularmente na área da cardiologia de intervenção, tornando-se nesta área uma referência na Cardiologia Portuguesa. Após a sua saída em Julho de 2013, a Direção do Serviço ficou entregue interinamente ao Dr. João Pais, até que em Dezembro de 2013, o Conselho de Administração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra nomeou o Prof. Doutor Lino Gonçalves como Diretor do Serviço de Cardiologia do Hospital Geral (HG-CHUC).